APM reúne faculdades e cogita prova única para residência


Representantes das maiores e mais tradicionais faculdades de São Paulo se reuniram no dia 19 de janeiro, na sede da Associação Paulista de Medicina (APM). O objetivo: discutir melhorias no sistema de graduação, residência médica e avaliação dos alunos.

No encontro o principal debate girou em torno de uma possível avaliação conjunta para a residência médica. Atualmente, cada programa tem seu próprio sistema de seleção, o que gasta recursos tanto dos hospitais quanto dos candidatos, que precisam pagar cada uma das inscrições, tal como acontece no vestibular.

Além das vantagens financeiras, a unificação da prova culminaria num melhor aproveitamento dos jovens doutores. Hoje, um candidato bom que não passou em uma das maiores faculdades vai acabar ficando para o ano seguinte, sendo que ele poderia muito bem aceitar ser incorporado a uma instituição menor.

Outra idéia seria usar essa prova unificada como parte da nota final do processo seletivo de cada programa de residência. As fases seguintes, que costumam ser uma prova prática e a análise de currículo, continuariam sob responsabilidade da instituição, visto que foi unânime a opinião de que são fatores importantíssimos para a escolha de um bom residente.

Apesar da imensa maioria dos presentes se mostrar favorável aos projetos propostos, algumas ressalvas foram feitas, tanto em relação à prova unificada quanto ao próprio sistema atual de avaliação. É importante analisar as experiências positivas e negativas adquiridas com o vestibular; esse tipo de exame determina o comportamento do estudante, que passa a estudar com mais afinco aquilo que costuma ser cobrado nas provas.  O teste de residência é uma forma de medir o que a faculdade está tentando formar: a prova deve servir como um horizonte, uma meta de formação, que pode ajudar a faculdade a melhorar o seu próprio ensino, para chegar cada vez mais perto desse ideal.

Foram criticados os cursinhos preparatórios para a prova de residência, cada vez mais comuns e que interferem na formação dos médicos. Para freqüentar as aulas, alguns alunos abrem mão do aprendizado no hospital. Foi lembrado que não se pode proibir a existência desse tipo de empresa, mas que é preciso torná-los desnecessárias.

Um exemplo bastante citado para melhorar o nível dos alunos e dos próprios programas foi o chamado "teste do progresso", durante a graduação. O exame, feito por nove faculdades públicas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, funciona como uma espécie de auto-avaliação, tanto para o aluno quanto para o curso. É voluntário e direcionado a estudantes de todos os anos. A nota não interfere no desempenho escolar, mas ajuda o aluno a comparar, ano a ano, o avanço em seu aprendizado. Cada universidade participante recebe um documento com a posição em que ficou situada, sem, entretanto, a colocação das outras. Segundo os participantes da reunião, essa avaliação preliminar, antes do final do curso, permite que os alunos e a própria instituição melhorem durante a graduação.

No fim do encontro, foi criada uma agenda a fim de debater o tema. Em busca de sintonia, ficou acertado o convite a outras instituições médicas para participarem do debate. Os representantes, agora, terão até o dia 23 de fevereiro para levar as propostas a suas respectivas universidades para, então, começar o projeto do que seria a prova unificada.

Instituições representadas no encontro: Associação Médica Brasileira (AMB); Associação Paulista de Medicina (APM); Câmara Técnica da Comissão Nacional de Residência Médica; Comissão Estadual de Residência Médica; Escola Paulista de Medicina / Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp); Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa; Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp; Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa); Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina de Botucatu - Unesp; Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP; Faculdade de Medicina do ABC; Faculdade de Medicina Unioeste - Presidente Prudente.