APM presta homenagem no Dia Internacional da Mulher


Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a Associação Paulista de Medicina (APM) homenageará, em 12 de março, a partir das 20h, 13 mulheres com contribuições relevantes à saúde em seus diversos aspectos. A cerimônia, na sede da entidade, em São Paulo, terá como tema a relação do gênero feminino com a sustentabilidade do planeta.

Simbolizando a representatividade política da APM, oito presidentes de Regionais terão suas ações destacadas durante a cerimônia. Todas, ao longo de seus mandatos, têm prezado pelo associativismo como ferramenta poderosa na reivindicação dos diretos dos médicos.

Também haverá uma homenagem póstuma a Zilda Arns, a pediatra fundadora da Pastoral da Criança, que faleceu no dia 12 de janeiro, vítima do terremoto no Haiti. Arns ficou mundialmente conhecida por sua metodologia comunitária, que capacita líderes para educar mães de famílias carentes, de modo a combater doenças passíveis de prevenção e a marginalidade. A médica ganhou sete prêmios, cinco títulos de Doutora Honoris Causa, era cidadã honorária de 10 estados e 35 municípios, além de ter recebido diversas outras homenagens de instituições, universidades, governos e empresas.

Conheça, a seguir, um pouco das ações de cada médica homenageada pela APM:

Alice Lang Simões Santos

Ocupa, há dois anos, a presidência da Regional de Santo André. Desde então, tem visto o número de associados crescer e a convivência entre os profissionais na sede aumentar dia a dia. Assumiu como compromisso da gestão melhorar a infraestrutura da Regional, para todos ficarem bem unidos. "Promovi eventos científicos na APM para trazer os médicos", conta. Outra importante conquista foi a realização do Fórum Pró-SUS, em 2009: "Deu muito trabalho, mas conseguimos discutir com autoridades a questão do Sistema Único de Saúde e a situação do médico", lembra. Ela também fica feliz com o reconhecimento. "A mulher está conquistando seu lugar na sociedade por sua competência. A homenagem reconhece mulheres que têm cumprido seu papel atualmente", avalia. A pediatra faz parte do Instituto Girassol, que apoia portadores de necessidades nutricionais especiais e promove acesso à terapia nutricional por meio da defesa dos direitos, da pesquisa, da capacitação técnica e da disseminação de conhecimentos.

Ana Claudia Arantes

Quando foi para Oxford, no Reino Unido, tinha tomado uma decisão: cursar a especialização em Cuidados Paliativos, área de grande paixão, descoberta ainda na faculdade. "Perguntava aos professores o que fazer com os pacientes que estavam com muita dor. Eles me diziam: ‘nada'. Esse movimento foi muito difícil de ser encarado", conta. Na volta, criou a Casa do Cuidar, que, desde 2007, atende pacientes portadores de doenças graves, sem cura, com o objetivo de aliviar sintomas e o desconforto. A Casa também oferece suporte para que a família do paciente compreenda a doença em todas as suas fases. "Já conseguimos fazer quatro cursos introdutórios e três jornadas multiprofissionais, o que resultou na formação de mais de 250 profissionais, sendo que 60% são médicos", relata. Ela comemora também a homenagem: "Sinto-me homenageando os pacientes, as famílias, meus amigos e todos que colaboraram para a criação e o atendimento dessas pesssoas", diz.

Ana Paula Bazilio

Seu início na história da APM foi em 2005, como diretora do Departamento Científico da Regional de Osasco, na Grande São Paulo. Desde 2008, agora como presidente, batalha por mais palestras, debates, reuniões e eventos científicos, dentro e fora da APM, para contribuir com a educação médica continuada dos profissionais da região. A médica também ampliou a área de lazer, para os associados, e para que a Regional possa promover mais eventos sociais para seus membros. "O que mais gosto de fazer é trabalhar para a população, principalmente no âmbito de prevenção da saúde", destaca. Ana Paula se diz surpresa com a homenagem: "As mulheres têm um jeito diferente de olhar para a saúde, principalmente no que diz respeito a sua prevenção. É uma iniciativa muito nobre da APM homenagear e destacar a participação dessas mulheres que têm uma atenção especial com a saúde, com o intuito de prevenir e dar orientações à saúde", elogia.

Cleusa Cascaes Dias

Em sua opinião, o associativismo é o melhor caminho para a defesa dos direitos do médico. A presidente da Regional da APM em Ribeirão Preto conta que essa ideia já animava os colegas do século passado, quando criaram a Sociedade de Medicina e Cirurgia, em 1932, posteriormente chamada de Centro Médico. "A união com a APM, estabelecendo a Regional, foi o caminho natural para somar esforços e fortalecer a categoria", afirma Cleusa. "Representar uma entidade com tal história de lutas e conquistas é uma grande responsabilidade e também uma grande distinção." A presidente tem batalhado por constantes melhorias no espaço físico da sede, a fim de permitir o desenvolvimento de atividades sociais e científicas. "Recebemos manifestações de apoio da maioria dos colegas, o que nos faz acreditar que estamos no caminho certo", comemora. Paralelamente, a médica faz questão de unir os associados no papel mais importante da Associação, que é representar a classe no cenário político e social. "Nos sentimos recompensados pelas conquistas que já obtivemos e continuamos animados para seguir lutando", diz. "Por isso, ser homenageada pela APM representa um reconhecimento ao trabalho de toda a nossa diretoria e dos funcionários da Regional de Ribeirão Preto"

Danielle Bouhid Bertolini

Depois de ler reportagens sobre médicos voluntários e aventureiros, Danielle convidou o marido Carlos Alberto Maknavicius, também médico, para uma expedição de saúde. Munidos de uma Land Rover, ofereceriam atendimento médico gratuito e palestras a comunidades de difícil acesso e de mais baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Em 2006, então, nasceu a organização Médicos da Terra. "Era uma vontade antiga poder fazer uma medicina mais humana, pois não estávamos contentes com o que fazíamos em São Paulo", lembra a cirurgiã geral. "Criar o projeto foi uma decisão mais emocional do que racional", admite. A homenagem, para ela, tem um grande significado: "No início, não conseguimos apoio para viabilizar o projeto. Perdemos tempo de atendimento por conta de burocracias que teriam sido mais facilmente resolvidas se tivéssemos respaldo. Receber essa homenagem é muito emocionante, pois é um reconhecimento que a gente quis por muito tempo", enfatiza. "Isso pode estimular outras médicas a realizarem projetos como esse", anima-se.

Geane Maria Rosa

Presidente da Regional de Barretos da APM desde 2008, a médica se preocupa com o fato de que, hoje em dia, o profissional não cultiva tanto o hábito de assistir e participar de atividades científicas como antigamente. "Por isso, tenho me esforçado para trazer à Regional não só muitos eventos científicos como também sociais e culturais", explica. Tudo isso para acompanhar o ritmo intenso dos avanços dos conhecimentos científicos, que devem fazer parte da rotina do médico. "Sinto uma alegria imensa com a homenagem. Recebo com orgulho o reconhecimento do trabalho da diretoria e tento manter o ritmo de outras diretorias passadas".

Irene Pinto Silva Masci

Associação boa é aquela que tem diversos membros. Com este objetivo, a ginecologista Irene, presidente da Regional de Botucatu da APM, se prontificou a levar a APM para a população e vice-versa. Para isso, incentiva a realização de palestras, reuniões e debates no anfiteatro, além de ter reformado o espaço da cozinha para a realização de almoços e eventos com os associados a cada 15 dias. Outro importante acontecimento, que se tornou a especialidade da casa, são as videoconferências, com atração de um grande público para as reuniões. Elas têm, inclusive, despertado o interesse da população. Percebendo esse movimento, a médica decidiu criar um projeto sobre Transtorno do Aprendizado, em parceira com a Secretaria de Educação de Botucatu, para ajudar crianças e adultos. "Quando se entende o problema da comunidade e se consegue ajudá-la, também crescemos e nos aprimoramos" acredita. "Fico muito honrada com essa homenagem", conclui.

Maria Elena Ferreira da Silva

Para levar os serviços da APM a todos os médicos da região de Ilha Solteira, a presidente daquela Regional cadastrou todos os médicos da cidade e de Pereira Barreto, município vizinho. Com isso, Maria Elena pretende, aos poucos, motivar os médicos a se associarem, mostrando as vantagens de ser um membro ativo da entidade. Para o futuro próximo, planeja um fim de semana especial para discutir, junto da Comissão de Infecção, o uso racional de antibióticos. "A APM é uma instituição forte, que oferece muitos benefícios aos médicos - congresso, descontos, assessoria jurídica, entre outros. Esses serviços são importantíssimos", frisa. A homenagem, por essas e outras, veio bem a calhar: "Ela aconteceu no momento em que não queria mais ser médica, por conta das inúmeras dificuldades que passamos em 2009. A homenagem me motivou novamente", desabafa.

Marize Izabel Menezes Takiuti

A educação médica continuada é o ponto chave da gestão de Marize na presidência da Regional de Garça da APM. "Uma das coisas mais importantes de se ter uma associação é a reciclagem médica", define. Ela também acredita que a união da classe médica e a cooperação entre os colegas, junto da Defesa Profissional, são ótimos aliados na luta pelos seus direitos dos profissionais. Ao lado das demais Regionais e da organização central da entidade, em São Paulo, Marize batalha por maior presença dos médicos na APM, a fim de oferecer justamente a educação médica continuada, a Defesa Profissional e os inúmeros serviços e benefícios - sem esquecer que, juntos, todos ganham cada vez mais eco para suas reivindicações. Por isso, a presidente se emociona com a homenagem: "Representa a valorização do trabalho da mulher dentro da própria profissão e um incentivo para que outras colegas venham a participar do associativismo", analisa.

Natalie Piai Ravazzi

"A homenagem é significativa para valorizar o esforço das mulheres, que se dedicam a profissão, a família e a casa", diz a médica. Natalie é presidente da Regional de Tupã. Desde quando estava na vice-presidência, duas gestões atrás, já lutava para filiar mais associados. Assim, tem realizado diversas mudanças, principalmente no Clube Social. "A classe médica tem perdido muito em termos de respeito e de salário. A APM briga pelos direitos do profissional, sem esquecer a parte ética", pondera. Faz parte dos planos dela também melhorar a relação social na Regional, para levar cada vez mais eventos, palestras, cursos e reuniões aos médicos de Tupã."

Therezinha Bandiera Paiva

"Sempre tive vontade de ser médica", diz a farmacóloga Therezinha Bandiera Paiva. "Converso muito bem com a medicina, e, como diz um amigo, a vantagem de se especializar em Farmacologia é que você volta para casa sempre com um resultado", brinca. "Seja ele positivo ou negativo, a prova está ali, você não fica com dúvidas permanentes", conta. Therezinha tem 80 anos e esbanja uma energia de quem ainda tem muito a conquistar. Não lembra mais exatamente qual foi o ponto de partida para a escolha da profissão, mas desde que optou por ela, quando ainda era menina, não largou mais. É tão dedicada que se embrenhou na área acadêmica, participando até hoje de estudos internacionais sobre hipertensão, sua paixão científica. "Gosto muito do que faço e, embora não exerça mais a medicina, não paro de estudar, vou só acumulando conhecimento", diz. Sabedoria de quem há muito colabora para a melhoria do mundo.

Therezinha Verrastro

Na infância em Jaboticabal (SP), Therezinha Verrastro, hematologista, foi diagnosticada com febre tifoide. "Meu pai me trouxe para São Paulo e fui internada no Emílio Ribas", recorda. O médico que a atendeu, após picar o dedo dela e ver seu sangue, atestou: "Você não tem nada grave". "Passei a acreditar que a cura de qualquer doença estava no sangue e, além de decidir me tornar médica, quis ser hematologista", explica. Feito destino, Therezinha não encontrou nenhuma barreira no caminho de seu sonho. "Entrei na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e não saí mais.". De aluna da graduação, passou a doutoranda e depois a docente, sendo até hoje convidada para bancas examinadoras. Ela também foi a primeira mulher doutora e livre docente em Hematologia da Faculdade. "Simplesmente fui lá porque queria ter o meu doutorado e minha livre docência, não pensei que seria a primeira", simplifica. "Reconheço a solenidade como uma homenagem dos meus colegas e amigos", agradece.

Homenagem Dia Internacional da Mulher

Data: 12 de março de 2010

Horário: 20h

Local: Auditório Nobre da APM

Endereço: Av. Brigadeiro Luis Antonio, 278, Bela Vista, São Paulo