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Saiba como sair do vermelho e controlar o orçamento


Com as facilidades de obtenção de crédito, perder o controle do orçamento tornou-se uma situação bastante comum. E o fato de acumular dívidas e não conseguir pagá-las é capaz de tirar o sono de qualquer um. Com o nome 'sujo' na praça, é impossível fazer crediário, abrir conta em banco, alugar imóvel e prestar concurso público, dentre outras dificuldades.

A dona de casa de São Bernardo Joyenzylde Dornelas, 42 anos, sabe bem o que é ficar sem dormir por conta de dívidas. Há cerca de quatro anos, ela não conseguiu pagar as compras que fez no crédito e em outros cinco cartões de lojas diferentes. "Na empolgação de final de ano, parcelei as compras em suaves prestações. No entanto, me enrolei e não consegui pagar. Meu nome foi parar na Serasa e no SCPC [Sistema Central de Proteção ao Crédito]", conta.

Na opinião do professor de finanças da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas) e da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Fábio Galo, a principal causa da inadimplência é o descontrole devido à falta de planejamento financeiro.

De acordo com o economista Marcel Solimeo, da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) - entidade que administra o SCPC -, na lista das principais causas de inadimplência, o descontrole dos gastos vem em segundo lugar, atrás do desemprego. "Basta uma pessoa da família perder o emprego para desequilibrar as finanças familiares. Sem conseguir pagar todas as contas, o consumidor precisa optar por quais compromissos vai cumprir. Como o crediário tem uma sanção mais branda, muitas vezes ele deixa de pagar essa prestação", acredita. Além dos fatores mencionados, Solimeo cita mais duas causas de endividamento: emprestar o nome para que terceiros devedores façam compras e imprevistos, como gastos com doenças.

Lista negra - Assim como aconteceu com a dona de casa Joyenzylde, quem não consegue pagar uma dívida corre o risco de ter seu nome incluído nos serviços de proteção ao crédito, como a Serasa e o SPC. A Serasa é uma empresa privada, criada por bancos e financeiras. Já o SCPC é um órgão administrado pela ACSP. Os dois armazenam, dentre outras informações, dados cadastrais de empresas e cidadãos e números sobre dívidas vencidas e não pagas. O objetivo é garantir que seus clientes (bancos, lojas comerciais e pequenas, médias e grandes empresas), que pagam para receber esses dados, não recebam calotes. O nome de um devedor pode ser incluído em uma ou outra lista ou até nas duas, o que vai depender de qual desses serviços o credor contratou.


O economista da ACSP explica que, além da Serasa e do SPC, a pessoa pode ficar com o ‘nome sujo' se for incluída no cadastro de inadimplentes do Banco Central (caso tenha passado um cheque sem fundos) ou se tiver uma dívida protestada em cartório. "No entanto, ter um título protestado não é muito comum, porque os lojistas em geral não utilizam esse recurso. Mas algumas empresas podem protestar para depois poder cobrar a dívida judicialmente", esclarece Solimeo. Antes de entrar para a ‘lista negra' de inadimplentes, a pessoa é alertada, por meio de carta, de que está em uma situação irregular e que tem dez dias para se manifestar. "Cerca de 20% das pessoas, quando recebem a carta, pagam ou renegociam a dívida e nem chegam a ter o nome incluído nos cadastros", diz Marcel Solimeo. Os serviços de proteção ao crédito mantêm os nomes dos devedores nas listas por cinco anos e, mesmo passado esse prazo, o credor continua tendo direito a cobrar a dívida. "Depois desse tempo a pessoa até consegue crédito, mas dificilmente na mesma empresa onde ficou devendo. Além disso, é importante ressaltar que uma dívida nunca prescreve", afirma Solimeo.

Regularize a situação - O primeiro conselho para quem recebeu a tão temida carta de aviso sobre a inadimplência é respirar fundo e manter a calma. Ao contrário do que parece, não é tão difícil regularizar a situação. "A pessoa deve fazer uma lista incluindo tudo o que está devendo. Depois, deve procurar seus credores e pedir um levantamento das dívidas. Com tudo isso em mãos, deve se dirigir a um serviço de proteção ao consumidor, como Procon ou Idec [Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor], e pedir para checar se o que estão cobrando está certo e se é realmente justo", ensina o professor de finanças Fábio Galo. Depois de checar se a dívida está sendo cobrada corretamente, o próximo passo é tentar negociar. "Às vezes, o credor aumenta o número de parcelas da dívida. Assim, o valor de cada uma diminui e fica mais fácil para o devedor conseguir pagar", explica o economista da ACSP, ressaltando que basta renegociar a dívida para que o nome seja excluído das listas de devedores - o que acontece em, no máximo, três dias.

Outra opção é fazer um empréstimo bancário com juros menores para pagar uma dívida que tenha juros exorbitantes. "Você troca uma dívida por outra que tenha juros menores e que você tenha mais condição de pagar. No entanto, você não deve se sentir livre de sua dívida e precisa apreender a se controlar", adverte Galo. Foi o que fez a dona de casa Joyenzylde Dornelas. Para conseguir quitar as dívidas dos cartões, ela precisou recorrer a um empréstimo no banco. "Fiz um empréstimo em várias parcelas fixas, o que facilitou o pagamento. Nos cartões, eu pagava a parcela mínima e, no mês seguinte, o valor já tinha dobrado", recorda.

A situação se complica um pouco caso a pessoa tenha pago alguma conta com cheque sem fundos. Quem passa por essa situação precisa recuperar o cheque, pagar a dívida (e pedir um comprovante) e se dirigir ao banco. Lá, deve arcar com uma taxa cobrada pelo Banco Central para só então ter seu nome ‘limpo'. Após esse procedimento, a exclusão do cadastro de inadimplentes leva cerca de uma semana. "O problema é que às vezes a empresa pode passar o cheque para outra empresa para pagar alguma dívida, e aí fica difícil recuperá-lo", comenta Solimeo.


Já se a dívida é por titulo protestado, o consumidor precisa ir ao cartório, pagar o título e também as custas do processo. Para saber se está com restrições, as pessoas podem procurar os postos de atendimento do SPC e da Serasa em sua cidade. Nesses locais, é possível consultar o próprio nome e obter informações gratuitamente. Os especialistas alertam para os cuidados ao contratar empresas que cobram para fazer a ‘limpeza' do nome. "Existem algumas empresas sérias, mas também há muita picaretagem", acredita Marcel Solimeo. "Tem muita má-fé, muita gente vendendo serviços que não entregam depois", concorda Fábio Galo.

Prevenção - A primeira coisa a se fazer é um orçamento doméstico.

"Um orçamento começa de maneira muito simples: deve-se anotar em um caderninho quais são os ganhos e os gastos de toda a família, por mês e por ano. A pessoa deve fazer uma divisão por grupos, como alimentação, transporte, telefone, lazer, e não pode esquecer de nada, nem do gasto com a pipoca quando se vai ao cinema", explica o professor de finanças da FGV e da PUC Fábio Galo.

Galo ensina a fazer o que ele chama de ‘orçamento de guerra'. Quem está com a ‘corda no pescoço' deve dividir as despesas em ABCD: A de alimentos, B de básico (como água, luz, aluguel), C de contornável (que são os gastos que tornam a vida mais confortável, mas que podem ser cortados em uma emergência, como internet banda larga e TV a cabo) e D de desnecessário (gastos com coisas que não fazem nenhuma falta). "Quem está com dívidas deve cortar o C e o D e ficar apenas com A e B até acertar as contas. Fazer esse planejamento familiar dá um pouco de trabalho, mas os benefícios são absurdamente positivos. Você vai conhecer melhor sua vida financeira e, conseqüentemente, conseguirá se preparar para o futuro", acredita.

A dona de casa Joyenzylde Dornelas seguiu as recomendações e conseguiu fazer as pazes com os cartões de crédito. Hoje não tem mais dificuldades para controlar o orçamento. "Por conta dessa experiência ruim, aprendi muito. Agora tenho noção de quanto posso gastar e fiquei mais consciente", conclui.

Fonte:- Carolina Lopes Do Diário OnLine

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