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02/02/18 - Nos EUA, um novo plano de saúde
Amazon, Berkshire Hathaway e JPMorgan Chase anunciaram planos para criar uma empresa de saúde sem fins lucrativos para reduzir os custos atrelados a seus quase 1 milhão de funcionários, levando investidores a vender ações de empresas do setor na bolsa de Nova York.
O anúncio das três empresas não fornece detalhes, dizendo que a nova companhia inicialmente se concentrará em "soluções tecnológicas" para fornecer a seus funcionários e famílias americanas "planos de saúde simplificados, de alta qualidade e transparentes - a um custo razoável".

"As três empresas, que contribuem com sua escala e experiência complementar para esse esforço de longo prazo, buscarão alcançar esse objetivo por meio de uma empresa independente e não sujeita aos incentivos e restrições usuais em um empreendimento que vise lucros", disseram em um comunicado.

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Employees at an Amazon warehouse in Florence, N.J. The company will join forces with Berkshire Hathaway and JPMorgan Chase to try to improve health care


As ações de grandes empresas do setor de saúde como UnitedHealth, Aetna, Cigna e Humana caíram na bolsa de Nova York. Ações das distribuidoras de medicamentos Express Scripts e CVS Health também se desvalorizaram ontem.

Uma pessoa recentemente informada sobre os planos da Amazon disse que a joint venture inicialmente se concentrará no uso de softwares e aplicativos para ajudar os funcionários a reduzirem seus custos com saúde. Por exemplo, se um médico receitar um remédio caro, um aplicativo de smartphone poderia enviar uma notificação ao paciente, alertando-o sobre a disponibilidade de uma alternativa genérica mais barata.

Por mais difícil que seja, reduzir o ônus dos serviços de saúde sobre a economia e ao mesmo tempo melhorar o atendimento aos funcionários e suas famílias, o esforço valeria a pena. Mas a pessoa disse que a iniciativa poderá ser um prelúdio para uma iniciativa mais ampla, em que as três empresas optariam por "auto-segurar" seus funcionários sem fins lucrativos.

Mais empresas poderão ser convidadas a aderir à iniciativa no futuro, acrescentou a pessoa. Se a Amazon e seus parceiros criarem uma seguradora de saúde sem fins lucrativos para seus aproximadamente 950 mil funcionários e suas famílias, isso poderá representar um dos maiores abalos no setor há anos. As seguradoras de saúde comerciais,como UnitedHealth e Cigna, correriam o risco de perder centenas de milhares de clientes. E distribuidoras de medicamentos (PBMs, no jargão do setor) como a Express Scripts também poderão perder um grande volume de negócios. Uma PBM (pharmacy benefit manager) atua como intermediária entre fabricantes de medicamentos e os planos de saúde, negociando

Embora algumas grandes empresas, entre elas as fabricantes de automóveis Ford, General Motors e Fiat Chrysler, já financiem seus próprios esquemas de seguro-saúde, assumindo as coberturas de seguros e reservando capital para possíveis prejuízos, elas tendem a contratar planos de saúde comerciais [que visam lucro] e PBMs para gerenciar os planos.

A iniciativa vem à tona após meses de especulações de que a Amazon estaria prestes a entrar no setor de saúde, o que pressionou os preços das ações das operadoras de planos de saúde, redes de farmácias e PBMs. Alguns analistas interpretaram a aquisição do grupo de farmácias CVS pela seguradora Aetna por US$ 69 bilhões, em dezembro, como um movimento defensivo contra a potencial entrada da Amazon no setor de saúde.

Em uma série de declarações, os principais executivos das três empresas sinalizaram que o empreendimento ainda está em seus estágios iniciais, mas insistiram que sentiram-se compelidos a agir devido à espiral ascendente dos custos de saúde, que estão corroendo os orçamentos familiares.

O custo dos planos de saúde familiares patrocinados pelos empregadores chegaram a US$ 18,764 mil no ano passado, um aumento de 3% em relação a 2016, com os trabalhadores em média pagando US$ 5,714 mil e os empregadores arcando com o restante, de acordo com um relatório da Kaiser Family Foundation.

"Os crescentes custos dos planos de saúde atuam como uma tênia faminta nos intestinos da economia americana", disse Warren Buffett, presidente e diretor executivo da Berkshire Hathaway. Ele acrescentou: "Nossa companhia não vai atacar esse problema com respostas prontas. Mas também não aceitamos essa situação como inevitável. Em vez disso, compartilhamos a crença de que colocar nossos recursos coletivos por trás dos melhores talentos do país pode, com o tempo, conter a alta dos custos com a saúde, melhorando simultaneamente a satisfação e os resultados para os pacientes".

Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, disse que o sistema de saúde é complexo e que as empresas estão assumindo "esse desafio com os olhos abertos quanto ao grau de dificuldades". Ele acrescentou: "Por mais difícil que seja, reduzir o ônus da saúde sobre a economia e melhorar os resultados para os funcionários e suas famílias, valerá o esforço".

Jamie Dimon, presidente-executivo do JPMorgan Chase, disse que os funcionários do banco querem "transparência, conhecimento e controle" ao gerenciar seus planos de saúde, e que as três empresas têm "recursos extraordinários" para oferecer serviços capazes de beneficiar os funcionários e suas famílias.

As três empresas disseram que anunciarão em breve a formação de uma joint venture e convocaram um trio de executivos para liderar o esforço: Todd Combs, um operador de investimentos da Berkshire Hathaway; Marvelle Sullivan Berchtold, diretora-gerente da JPMorgan Chase; e Beth Galetti, vice-presidente sênior da Amazon. (Tradução de Sérgio Blum)


Fonte: Valor Econômico - 31/01/2018
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