TRANSLATE:
Login
REVISTA DE ADMINISTRAÇÃO EM SAÚDE
EXPECTATIVAS PARA O FUTURO
Demandas dos médicos de São Paulo para os novos eleitos no dia 7 de outubro
Financiamento adequado, gestão competente e transparente, investimento em saúde da família e carreira de Estado são algumas das demandas dos médicos para as novas gestões pós-eleições
Tradicionalmente, a área da Saúde aparece como uma das principais preocupações da população brasileira, especialmente neste período eleitoral. Nesta edição da Revista da APM, ouvimos especialistas para apontar quais devem ser as prioridades adotadas pelos próximos governantes dos estados e do País, alé dos novos legislativos.
A melhoria no repasse financeiro e na gestão administrativa do Sistema Único de Saúde, por exemplo, são tópicos fundamentais que precisam ser revistos. “O Brasil é um dos países que menos investe em saúde pública, seja em percentual do PIB ou em relação à renda per capita.
Isso faz com que parcela significativa da população não tenha acesso a serviços elementares”, afirma o diretor Administrativo da Associação Paulista de Medicina, Florisval Meinão.
De acordo com ele, o quadro de subfinanciamento do SUS se agravou com a aprovação da Emenda Constitucional 95/2016, que estabeleceu um teto para os gastos públicos em saúde, educação, segurança, moradia e outras demandas até 2036. “A inflação na Saúde é muito maior do que a variação de preços do consumidor. Na prática, é uma redução dos recursos disponíveis para o sistema público.”
Em consonância, o representante de São Paulo no Conselho Federal de Medicina, Jorge Carlos Machado Curi, fala da necessidade de o Governo Federal rever o percentual de investimento na Saúde, que hoje não chega nem próximo dos recursos de outros países com assistência universal, como França, Canadá e Inglaterra.
“O financiamento precisa ser de pelo menos 15% da renda para os munícipios e de 12% para os estados. Na esfera federal, por outro lado, o valor ficou discutível. Quando esse Governo entrou, em meio a uma crise econômica e política, aprovou uma proposta que engessa ainda mais os recursos para o SUS”, critica Curi, que também é vice-presidente da APM.
Outro gargalo para fechar a conta do sistema público é o ressarcimento dos planos de saúde ao Sistema Único de Saúde, que ainda não ocorre a contento. “Se por algum motivo um usuário da saúde suplementar é atendido na rede pública, o SUS deve ser ressarcido pelas empresas”, reitera o diretor de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Pediatria e de Previdência e Mutualismo da APM, Paulo Tadeu Falanghe.
Conforme ele explica, novas regras de ressarcimento deverão atender de forma mais equânime o sistema público. Antes, o repasse era direcionado para um fundo único do Ministério da Saúde, responsável por redistribuir esses recursos. “Era uma situação muito burocrática. Agora, o repasse irá para fundos específicos, o que significa que irá para aquela unidade prestadora, de forma mais justa e igualitária.”
O presidente da Associação Paulista de Medicina, José Luiz Gomes do Amaral, cita ainda a presença de profissionais formados no exterior, importados pelo programa Mais Médicos, sem passar pela revalidação de diplomas e que representam importante risco à população.
“Isso precisa ser revisto imediatamente. Trata-se de grave equívoco, desde a origem. Não se pode crer que trazer profissionais formados no exterior, sem revalidar diplomas e comprovar suas habilidades técnicas, seja solução para os problemas de assistência à saúde do Brasil.
A interiorização da atenção médica passa por plano de carreira do médico. Garantir acesso à atenção de saúde exige políticas de Estado equilibradas, adaptadas às diferentes situações, não passa por ideologias ultrapassadas, clientelismo, partidarismo, sectarismo e improviso”, pontua.
ATENÇÃO PRIMÁRIA E GESTÃO
“Assim, cabe aos candidatos e às candidatas que vencerem o pleito de outubro, em primeiro lugar, defender o SUS (e não o extinguir), traçando um plano de reestruturação que passe inevitavelmente por alguns eixos”, acrescenta o vice-presidente da Associação Paulista de Medicina de Família e Comunidade, José Carlos Arrojo Júnior.
Em sua opinião, estão entre os pontos essenciais: investimento na atenção primária à Saúde e na estratégia da Saúde da Família (ESF); investimento em nova regionalização e na readequação do perfil de responsabilidades dos entes do sistema; limitação da interferência política no Ministério da Saúde e nas agências reguladoras; investimento na formação de gestores qualificados para o SUS; reforma tributária e incentivo à maior transparência pública.
“Deve-se priorizar a ESF, investindo na formação de equipes multiprofissionais de especialistas na área, sendo o médico de família e comunidade o representante da nossa classe”, pondera Arrojo.
Um dos pontos defendidos pela APM é a contratação de funcionários técnicos capacitados, por meio de concursos públicos, reduzindo os cargos por indicação. Os sistemas de controle social e de fiscalização do uso dos recursos também devem ser aprimorados. Curi ainda acrescenta a necessidade de desenvolver uma rede que funcione, sendo referência e contrarreferência no município.
“O Estado tem que reger as regiões metropolitanas de forma que haja uma conexão entre as cidades menores e maiores, envolvendo a saúde básica e de alta complexidade”, argumenta. Para isso, segundo ele, deve-se levar em conta as devidas contratações, valorações e condições adequadas de trabalho.
Já o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – São Paulo, Marcelo Valente, defende que o atendimento nas unidades básicas sofre principalmente com a falta de organização e de recursos humanos. “Com isso, há pouca eficiência na resolução dos casos, tendo como consequência filas em ambulatórios de especialidades e setores de emergência.”
Ele também destaca a importância de se investir na integração entre sistemas de dados por meio da informatização, na reorganização das redes hospitalares, estimulando a regionalização dos serviços, e na remuneração dos prestadores de acordo com a qualidade e produtividade.
ÁREAS BÁSICAS
Em relação à saúde da mulher, Everaldo Porto Cunha, um dos conselheiros indicados pela APM para a gestão 2018-2023 do Cremesp, declara: “Ainda há lacunas a serem preenchidas, como os altos índices de mortalidade materna, a negligência no trato dos transtornos ocasionados pela menopausa e as dificuldades na obtenção de meios para uma vida sexual e reprodutiva saudável”, pontua o ginecologista. Em 2030, haverá 41,5 milhões de idosos (cerca de 18% da população), pela primeira vez ultrapassando a quantidade de crianças com até 14 anos. “Diante desse cenário, a adoção de políticas públicas voltadas para o idoso torna-se uma urgência”, atenta Valente.
O geriatra propõe estratégias para contribuir com a redução dos custos com a saúde, como o investimento na criação de núcleos integrados em ambulatórios e em serviços de suporte à família, e na promoção de saúde e do autocuidado, além de se pensar em uma abordagem multidisciplinar e em políticas preventivas.
“Isso tudo é viabilizado com o reconhecimento e a valorização do trabalho do médico e com o pleno funcionamento das estruturas de saúde fora dos grandes centros. Termos uma Carreira de Estado, com estabilidade, progressão, salários compatíveis e boas condições de trabalho, mais o uso de recursos de Telemedicina, certamente se constituirão em atrativos inclusive para a interiorização dos médicos no Brasil”, conclui Cunha, que também é diretor de Comunicações da APM.
Publicado na Revista da APM - edição 703 - setembro 2018
Apoio:
xhl


sicredi
Blog
A discussão de compliance e ética no CQH 2018
Destaques
2018 - Concursos para obtenção de título de especialista em medicina preventiva e certificado de área de atuação em administração em saúde
Hospital Netto Campello recebe selo do CQH
Manual de Indicadores de Gestão de Pessoas - 2017
2017 - Concurso para obtenção de título de especialista em medicina preventiva e certificado de área de atuação em administração em saúde
RAS On-line
RAS Vol. 16 N° 65 Outubro-Dezembro, 2014
Mais Recentes
COMPARTILHAR EXPERIENCIAS MÉDICAS ONLINE 11/10/18
BOAS PRÁTICAS GERENCIAIS 08/10/18
COMO ESTABELECER PRIORIDADES 05/10/18
NÃO SE PODE ABDICAR DA ÉTICA 04/10/18
Comitê Científico 01/10/18
EXPECTATIVAS PARA O FUTURO 01/10/18
É BOM TER SÓCIOS? 28/09/18
"DASHBOARDS" 24/09/18
COMBATE À CORRUPÇÃO 21/09/18
ACIDENTES DE TRABALHO 20/09/18
Mais Lidas
1Manual de Indicadores de Enfermagem NAGEH 2012
2Rumo à Excelência: Critérios para avaliação do desempenho e diagnóstico organizacional
3CQH - Roteiro de Visitas
43º Caderno de Indicadores CQH - 2009
5Manual de Gestão Hospitalar
6Acreditação hospitalar: um movimento inexorável?
7Por que e como aderir ao Programa CQH
8Prêmio Nacional da Gestão em Saúde - Ciclo 2015-2016: Regulamento e Instruções para Candidatura
9Manual de Gestão Hospitalar do CQH
10Manual de Gestão - Organização, Processos e Práticas de Liderança
Videoaulas
Indicador de homem hora treinamento
Avaliação da Necessidade de Treinamento